Cássia Eller

Compartilhar:

Não tem diferença entre você se apaixonar por homem ou por mulher… Todo mundo quer ser feliz… estar bem com o outro.

Eu só queria saber de cheirar. Chicão e Eugênia ficavam muito nervosos.

Sei que ele guerreou com Xangô e acabou sendo morto. Mas depois Xangô e Oxalà ficaram com pena e resolveram trazê-lo de volta. Só que ele não pode mais voltar na forma humana, mas como serpente. Ele é cobra dos rios e do mar. Quando està no mar é homem e quando està no rio é mulher. Um pouco parecido comigo.

Respeito a religião e quem acredita. Gosto das histórias, mas não tenho essa fé. Cheguei a receber formação religiosa. Sou de Minas Gerais, fui criada em Belo Horizonte. Fui batizada, crismada, fiz primeira comunhão e até os 18 anos ia à missa todo o domingo. Foi na igreja que comecei a cantar. A religiosidade acabou com a leitura da Bíblia. Comecei a achar que era muita fantasia, quando soube que tinha sido escrita em aramaico e traduzida para o latim. Para fazer a tradução o cara interpretou demais.

Não tem jogada comigo. Não sou educada, neguinho vê na cara. Não tenho obrigação de pertencer ao grupo das mulheres e agir igualzinho a todas.

Não tenho nada com Deus, nada com Cristo, nada com nada. Mas, quando criança, fui boa filha, exemplo da família, era católica, de grupo jovem.

No palco eu nunca tive vergonha. Eu tinha medo de errar, de não dar conta de fazer. Timidez, eu tenho de ser apresentada para as pessoas que eu não conheço. Quanto às caretas, eu sou assim mesmo. Agora, quando eu cuspo, chuto, eu estou representando um personagem.

Acho o feminismo muito neurótico. Consigo aturar melhor o machismo, estou mais acostumada. Movimentos não me interessam. Acho que você tem que resolver a sua parte e aprender a conviver sem abrir mão do que você acredita.

Acham que homossexualismo é defeito de fábrica. Mas isso não me atinge, não fico preocupada com o que vão achar.

Todo mundo é marginal. Ninguém vive com dignidade, de acordo com o que merece.

João Gilberto é um cara único, o difícil é aguentar os seguidores. Eu não suportava aquela história de todo mundo com banquinho e violão…

Aprendi tudo que sei com os Beatles.

Ele me disse que eu não cantava, berrava. Eu ficava em agonia sempre que ouvia os meus discos, não gostava muito e acho que ele tinha a mesma sensação.

Tenho sérios problemas com as frases, não consigo formular qualquer uma que faça sentido. Eu gosto mesmo é de cantar.
Obs.: Sobre seu trabalho como compositora.

Eu não sou exatamente uma cantora que saiba cantar. Sou muito desafinada.

Foi ele quem me deu coragem de cantar do meu jeito, sem técnica, berrando e chorando. Referindo-se a Cazuza.

Aprendi rock com Ezequiel Nevez, porque eu ouvia muito pouco disso. Eu lia as coisas que ele escrevia, bem antes de conhecê-lo. Lia mais que ouvia rock.

Quando comecei a cantar, era uma pessoa mais quieta, que subia no palco e se transformava. Agora, mudei: meu jeito no dia-a-dia é igual ao do palco.

Essa coisa de birita com cocaína é muito ruim. Faz mal, deixa a pessoa agressiva. Depois de me tratar, passei a resolver problemas que antes eu não conseguia. Sempre fui a criançona da família. Mesmo com meu filho, quando ele se machucava eu ficava que nem barata tonta, chorando com ele no colo. Aí vinha a Eugênia, pegava a gente e levava para a clínica.

Eu não achava que precisava cheirar para cantar, mas ia na onda; tinha bastante e sempre mandava uma. Era o frisson da galera, todo mundo ia!

Escolho meu repertório assim: se é uma regravação, geralmente é alguma coisa que marcou minha infância e adolescência. Eu quero cantar para todo mundo!!!

Eu sou muito capiau, não sei me impor, não sei conversar nem resolver nada pela palavra. Sou horrível para explicar as coisas!

A Bethânia marcou mais pela força da interpretação… Bethânia tem uma força única. A Elis Regina nem se fala. É uma das maiores cantoras que já ouvi na vida. A Gal Costa foi a primeira cantora moderna do Brasil. Com certeza abriu um caminho que, se não fosse ela, a gente estaria meio atrasada na forma de cantar.

Os anos 80 foram uma época que a gente nem curtiu direito, foram só 10 anos. Tenho a sensação que passou muito rápido. Tenho saudosismo, gosto de ouvir as coisas de que eu gostava quando tinha 20, 25 anos.

O palco cria fantasia nas pessoas. Acham que você é muito mais gostoso do que é ou que a transa vai ser muito melhor do que ela poderia vir a ser.

Durante a gravidez parei porque, milagrosamente, enjoei de cigarro, café, maconha, de tudo. Cocaína, então, lógico. Não ia fazer uma coisa dessas. Aí o Chicão nasceu, amamentei e depois caí de novo na farra.

Fumei meu primeiro baseado aos 20 anos, cocaína com 25. Resisti por muito tempo, mas quando comecei a cantar foi uma perdição total. Cantava em dois bares, ganhava umas drogas de presente.

Agora tenho gostado de cozinhar de novo. Nada especial, só arroz com feijão, sopa, macarrão, frango com cebola.

Meu pai falava que as músicas que eu cantava não agradavam a ninguém. Ficava me dando conselhos para mudar o repertório.

Tinha 19 anos e só queria saber de cantar. Em 1986, formei uma banda e cantava em bar, com repertório de quem eu gostava, Beatles, Caetano, Luís Melodia, Gil, Barão Vermelho e Cazuza, principalmente. Também cantava o som dos caras de São Paulo, Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé.

Na minha casa se ouvia muita música. Minha avó materna tocava bandolim, todos na família da minha mãe tocavam instrumento e ela cantava. Cresci ouvindo minha mãe cantando enquanto arrumava a casa e comecei a cantar com ela. Aprendi a tocar violão com primos. Mas ninguém na família quis ser profissional.

Sou espada!

Agora estou no meu melhor período de relação com a gravadora. Temos mais diálogo, mais condição de conversa. Briguei para nunca mudar meu estilo por causa das tendências do mercado. Valeu a pena.

Até hoje me assusto quando tem 30 mil pessoas me vendo. Suava para botar mil pessoas num lugar.

Eu ficava apavorada com a idéia de dar entrevistas. Tenho tentado melhorar, ficar mais civilizada, e acho que estou conseguindo.

Adoro ser mulher! É que brinco com o comportamento das pessoas, gosto do machismo. Adoro imitar bofe! Passa uma mulher e eu falo ‘Gostosa’, ou então coço o saco. Não sou de pegar menina assim, mas às vezes falo só para sacanear: ‘E aí, gata?’

Eu me sinto ele às vezes. Essa brincadeira de ser o cavalo do Cazuza está se tornando séria. De vez em quando rola uma confusão na minha cabeça. Eu canto e trato as músicas como se eu é que tivesse composto elas. Parece que sou que escrevi aquelas letras, tamanha é a minha identificação com Cazuza. Obs.: Ao falar do show Veneno Antimonotonia, que fez em 1997, com músicas de Cazuza.

Eu não sou marginal, eclética, porra nenhuma do que alguns dizem. Eu sou popular, cara!

A lucidez ajuda, mas tem hora que é um saco.

O peso maior foi o da responsabilidade… sempre fui meio moleque e irresponsável, mas uma criança obriga você a ser responsável. Tenho que garantir um ambiente saudável, a alimentação, tudo para que ele possa viver bem. Agora até acho legal ter responsabilidade!

Eu já quis ser freira. Fui muito religiosa até uns 17 anos. Ia à missa, ajudava na paróquia, já cantei em missa, sabia os hinos de cor. Mas depois virei atéia total. Não rezo mais, há muitos anos.

Já tive complicações burocráticas que não quero falar aqui. Mas eu gostaria de casar com a Eugênia, ter um contrato de casamento legalizado mesmo. Queria poder garantir os direitos dela e do Chico. No caso de separação ou de morte, a Eugênia não tem nenhum documento que prove que estamos casadas há 14 anos. É claro que, se me acontecer alguma coisa, meus bens têm que ir para ela e meu filho. E a guarda do meu filho tem que ser dela, é ela a mãe. Olha a confusão!

Nenhuma! Mas ele pede e uma hora vai aparecer uma oportunidade legal para levar ele e meus sobrinhos também. Mas tem que ser nas férias e eles têm que fazer por merecer, entendeu? Não é porque agora tem dinheiro que vai gastar tudo.

Na primeira vez em que dei um beijo na boca de um menino eu tinha 17 anos. Ele tomou a iniciativa!… Era o Dimas, da minha sala no Pedro II. Sou muito coió, muito capiau! Fui criada em Minas: mulher lá reconhece seu lugar!.

Atingi um sonho. Hoje me sinto realizada.

Ele me pede pra comprar coisas e ainda diz: ‘Eu sei que você tem dinheiro’. E eu respondo que não é aniversário, não é Dia da Criança e que eu não vou comprar. Ele tem que aprender a dar valor, saber que tudo é trabalho e que nada é fácil. Agora o Chico veio com papo de mesada. Eu respondi: ‘Menino de 8 anos com mesada? Tá maluco? Você não arruma nem sua gaveta’. Não é assim, não! Eu podia mandar ele para a Disneylândia todo mês, hoje tenho condições pra isso, mas não é o caso.

O Chicão reclamava muito do som mais pesado dos outros CDs. Ele achava que eu gritava muito! Este ele está até ouvindo!

Procuro mostrar fotos do Otávio e falo muito dele para o Chicão.
Obs.: Sobre Otávio Filho, pai de seu filho Chicão, morto em acidente em 1993.

Estou no céu com a bunda de fora. show dos Rolling Stones.

Quando eu gosto, vou até o talo.

Acho que era Confúcio quem dizia: fácil é o certo. Certo é o fácil, então não existe o certo, o errado, o fácil e o difícil. Você escolhe o que é bom para você na hora e acaba dando certo.

Eu tenho influência de rock, como também tenho de música brasileira. Mas isso não me preocupa, não. Por mais que eu seja doidona, escrachada, debochada, numa atitude mais rock’n’roll, eu tenho aquela coisa de MPB, sim. São dois lados bem fortes em mim. Não fico pensando nisso, não.

Não tenho nem formação musical acadêmica nem nada acadêmico. Nem porra nenhuma. Estudei até o segundo grau, mas não terminei. Eu era normalista lá em Brasília. Repeti o segundo ano umas quatro vezes, mas já tava cantando. Passava a noite inteira acordada, aí não tinha jeito de estudar de manhã e de tarde. Porque no curso normal tinha de estudar de manhã e à tarde. Não há cristão que agüente isso. Aí não deu certo não, tive que largar. Também já não gostava mesmo.

Eu estudava canto numa escola de música, queria ser cantora de ópera. Mas a idéia só durou uns seis meses. Não dava certo meu estilo de vida com o jeito dos cantores clássicos. Tem que ter muita disciplina. E eu até tenho, mas é do meu jeito.

O Waly fez com que eu me sentisse segura. Fez com que eu visse que dou conta de fazer um disco, que era a coisa que eu tinha mais medo na vida. Ele assinou a produção do disco pra que eu e a banda pudéssemos fazer a produção, de fato. Ele botou o nome dele, mas quem fazia tudo mesmo era a gente. A gente conversava, perguntava para os técnicos. Porque a gente não entendia porra nenhuma daquilo. E o Waly falava: vocês têm o direito de fazer isso, o disco é de vocês e tal… E foi bom que a gravadora não interferiu em nada.

Eu tava meio com medo de conhecer Waly Salomão. Mas aí vi que era um cara ótimo, um grande amigo meu, cara sensacional e que me ajudou a fazer o disco Veneno Antimonotonia. Foi o disco que eu tive mais liberdade pra fazer até agora.

Para o disco que gravei só com violões [Ao Vivo, 1996]chamei o Serginho Serra, que me apresentou o Waltinho, o Walter Villaça, que é um dos melhores músicos com quem já toquei na minha vida. Fiquei muito feliz em conhecer esse cara.

Não sou muito coerente. Às vezes sou muito rígida com o Chicão e, no outro dia, na mesma situação já sou mais tranqüila, relaxo mais. Mas ele também é meio doidinho, acho que entende isso.

Eu embalava dois, três dias sem parar. Aí deu um clique, fiquei pirada com a história. O meu problema hoje é que eu bebo, entorno uma cana. Eu gosto de birita.

Não quero ter de me preocupar com nada a não ser o palco, o show, a música. Preciso confiar e ter um bom relacionamento com quem me vende.

Nunca pensei em atingir uma meta, um objetivo musical. Eu queria era fazer show, só isso. Eu arrumava a banda e tal, mas o máximo que eu pensava para o futuro era fazer aquele show. Eu queria gravar disco, mas não pensava em carreira. Seria uma conseqüência daquilo que eu estava fazendo.

Não quero salientar nada. Somente quando faço um disco ele tem que ficar com a minha cara, e acredito que consegui.

Não gosto de estúdio, prefiro gravar ao vivo.

Tudo que quero é dormir. Quero um tranqüilizante.
Obs.: Ao dar entrada na Casa de Saúde, pouco antes de sua morte.

Tô legal, conversei com minha mãe. Ela percebeu que eu estava mal. Vou jogar vídeo game e vou dormir. Boa noite. Na madrugada que antecedeu sua morte.

Já detonei dois telefones. O único que está vivo é o celular. Tentei quebrá-lo mas não consegui. Na véspera de seu falecimento.

Quero ficar sozinha. Estou muito deprimida com esse sucesso todo. Na véspera de seu falecimento.

Eu não cheiro, não fumo. Só estou bebendo. Pelo menos uma cervejinha, né?No último ensaio com a banda, realizado no dia anterior à sua morte.

Tem cinco dias que não fumo. No último ensaio, festejando com a banda a decisão em parar de fumar.

Não tem diferença entre você se apaixonar por homem ou por mulher… Todo mundo quer ser feliz… estar bem com o outro.

Eu só queria saber de cheirar. Chicão e Eugênia ficavam muito nervosos.

Sei que ele guerreou com Xangô e acabou sendo morto. Mas depois Xangô e Oxalà ficaram com pena e resolveram trazê-lo de volta. Só que ele não pode mais voltar na forma humana, mas como serpente. Ele é cobra dos rios e do mar. Quando està no mar é homem e quando està no rio é mulher. Um pouco parecido comigo.

Respeito a religião e quem acredita. Gosto das histórias, mas não tenho essa fé. Cheguei a receber formação religiosa. Sou de Minas Gerais, fui criada em Belo Horizonte. Fui batizada, crismada, fiz primeira comunhão e até os 18 anos ia à missa todo o domingo. Foi na igreja que comecei a cantar. A religiosidade acabou com a leitura da Bíblia. Comecei a achar que era muita fantasia, quando soube que tinha sido escrita em aramaico e traduzida para o latim. para fazer a tradução o cara interpretou demais.

Eu ficava apavorada com a idéia de dar entrevistas. Tenho tentado melhorar, ficar mais civilizada, e acho que estou conseguindo.

Adoro ser mulher! É que brinco com o comportamento das pessoas, gosto do machismo. Adoro imitar bofe! Passa uma mulher e eu falo ‘Gostosa’, ou então coço o saco. Não sou de pegar menina assim, mas às vezes falo só para sacanear: ‘E aí, gata?’

Eu me sinto ele às vezes. Essa brincadeira de ser o cavalo do Cazuza está se tornando séria. De vez em quando rola uma confusão na minha cabeça. Eu canto e trato as músicas como se eu é que tivesse composto elas. Parece que sou que escrevi aquelas letras, tamanha é a minha identificação com Cazuza.
Obs.: Ao falar do show Veneno Antimonotonia, que fez em 1997, com músicas de Cazuza.

Eu não sou marginal, eclética, porra nenhuma do que alguns dizem. Eu sou popular, cara!

A lucidez ajuda, mas tem hora que é um saco.

O peso maior foi o da responsabilidade… sempre fui meio moleque e irresponsável, mas uma criança obriga você a ser responsável. Tenho que garantir um ambiente saudável, a alimentação, tudo para que ele possa viver bem. Agora até acho legal ter responsabilidade!
Obs.: Sobre a maternidade.

Ela sintetiza o que é o show. Gosto de terminar o show com uma música que diz: ‘Eu vou sabotar!’.

Eu já quis ser freira. Fui muito religiosa até uns 17 anos. Ia à missa, ajudava na paróquia, já cantei em missa, sabia os hinos de cor. Mas depois virei atéia total. Não rezo mais, há muitos anos.

Já tive complicações burocráticas que não quero falar aqui. Mas eu gostaria de casar com a Eugênia, ter um contrato de casamento legalizado mesmo. Queria poder garantir os direitos dela e do Chico. No caso de separação ou de morte, a Eugênia não tem nenhum documento que prove que estamos casadas há 14 anos. É claro que, se me acontecer alguma coisa, meus bens têm que ir para ela e meu filho. E a guarda do meu filho tem que ser dela, é ela a mãe. Olha a confusão!

Na primeira vez em que dei um beijo na boca de um menino eu tinha 17 anos. Ele tomou a iniciativa!… Era o Dimas, da minha sala no Pedro II. Sou muito coió, muito capiau! Fui criada em Minas: mulher lá reconhece seu lugar!.

Ele me pede pra comprar coisas e ainda diz: ‘Eu sei que você tem dinheiro’. E eu respondo que não é aniversário, não é Dia da Criança e que eu não vou comprar. Ele tem que aprender a dar valor, saber que tudo é trabalho e que nada é fácil. Agora o Chico veio com papo de mesada. Eu respondi: ‘Menino de 8 anos com mesada? Tá maluco? Você não arruma nem sua gaveta’. Não é assim, não! Eu podia mandar ele para a Disneylândia todo mês, hoje tenho condições pra isso, mas não é o caso.

O Chicão reclamava muito do som mais pesado dos outros CDs. Ele achava que eu gritava muito! Este ele está até ouvindo!

Procuro mostrar fotos do Otávio e falo muito dele para o Chicão.
Obs.: Sobre Otávio Filho, pai de seu filho Chicão, morto em acidente em 1993.

Estou no céu com a bunda de fora.
Obs.: Definiu com emoção quando fez a abertura da turnê no show dos Rolling Stones.

Quando eu gosto, vou até o talo.

Acho que era Confúcio quem dizia: fácil é o certo. Certo é o fácil, então não existe o certo, o errado, o fácil e o difícil. Você escolhe o que é bom para você na hora e acaba dando certo.

Eu tenho influência de rock, como também tenho de música brasileira. Mas isso não me preocupa, não. Por mais que eu seja doidona, escrachada, debochada, numa atitude mais rock’n’roll, eu tenho aquela coisa de MPB, sim. São dois lados bem fortes em mim. Não fico pensando nisso, não.

Não tenho nem formação musical acadêmica nem nada acadêmico. Nem porra nenhuma. Estudei até o segundo grau, mas não terminei. Eu era normalista lá em Brasília. Repeti o segundo ano umas quatro vezes, mas já tava cantando. Passava a noite inteira acordada, aí não tinha jeito de estudar de manhã e de tarde. Porque no curso normal tinha de estudar de manhã e à tarde. Não há cristão que aguente isso. Aí não deu certo não, tive que largar. Também já não gostava mesmo.

Eu estudava canto numa escola de música, queria ser cantora de ópera. Mas a idéia só durou uns seis meses. Não dava certo meu estilo de vida com o jeito dos cantores clássicos. Tem que ter muita disciplina. E eu até tenho, mas é do meu jeito.

O Waly fez com que eu me sentisse segura. Fez com que eu visse que dou conta de fazer um disco, que era a coisa que eu tinha mais medo na vida. Ele assinou a produção do disco pra que eu e a banda pudéssemos fazer a produção, de fato. Ele botou o nome dele, mas quem fazia tudo mesmo era a gente. A gente conversava, perguntava para os técnicos. Porque a gente não entendia porra nenhuma daquilo. E o Waly falava: vocês têm o direito de fazer isso, o disco é de vocês e tal… E foi bom que a gravadora não interferiu em nada.

Não sou muito coerente. Às vezes sou muito rígida com o Chicão e, no outro dia, na mesma situação já sou mais tranqüila, relaxo mais. Mas ele também é meio doidinho, acho que entende isso.

Não quero ter de me preocupar com nada a não ser o palco, o show, a música. Preciso confiar e ter um bom relacionamento com quem me vende.

Nunca pensei em atingir uma meta, um objetivo musical. Eu queria era fazer show, só isso. Eu arrumava a banda e tal, mas o máximo que eu pensava para o futuro era fazer aquele show. Eu queria gravar disco, mas não pensava em carreira. Seria uma consequência daquilo que eu estava fazendo.

Não quero salientar nada. Somente quando faço um disco ele tem que ficar com a minha cara, e acredito que consegui.

Não gosto de estúdio, prefiro gravar ao vivo.

Sou um pouco egoísta, não sei dividir o palco.

Sempre tento fazer shows no exterior, mas acaba não dando certo. Agora acho que vai dar.

Acho ótimo a pirataria, acho ‘o bicho’. O cara não tem dinheiro, nem nada. Vai ficar sem ouvir música?

Pirei quando ouvi o Itamar Assumpção pela primeira vez. Aquele jeito de compor todo esquisito. Acho fantástico.

Sou a favor de toda música espontânea, que não foi criada por gravadoras.
Obs.: Em 2001, apoiando o funk carioca.

O que mais me preocupo na educação de meu filho é ensiná-lo a respeitar as coisas.

Não vejo o que faço como uma carreira. Faço música por que gosto muito, me dá muito prazer.

No meu tempo ouvíamos Chico Buarque nas rádios. Não tem jeito, a coisa mudou mesmo. Mas ainda assim adoro rádio.

Pedi músicas faz um bom tempo para o Chico Buarque e Djavan, mas até agora eles não me mandaram.

Sou mulher, sou pobre, sapatão, mãe solteira, preencho todas as lacunas. Tem de saber lidar com o preconceito.

O disco virá assim mesmo, pesado. Gosto das baladas, adoro música brasileira e samba. Mas me sinto no céu quando canto rock-and-roll.


Compartilhar:

Você pode gostar...

Deixe uma resposta