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Khalil Gibran

Dizeis: darei só aos que precisam. Mas os vossos pomares não dizem assim; dão para continuar a viver, pois reter é perecer.

O amigo é a resposta aos teus desejos. Mas não o procures para matar o tempo! Procura-o sempre para as horas vivas. Porque ele deve preencher a tua necessidade, mas não o teu vazio.

Todo o trabalho é vazio a não ser que haja amor.
Trabalho é amor tornado visível.

A música é a linguagem dos espíritos.

Cada vez mais desesperadamente o homem procura dilatar o tempo que já não tem.

Uma voz não pode transportar a língua e os lábios que lhe deram asas. Deve elevar-se sozinha no éter.

Aquele que nunca viu a tristeza, nunca reconhecerá a alegria.

O desgosto é o obscurecimento do espírito e não o seu castigo.

A neve e as tempestades matam as flores, mas nada podem contra as sementes.

Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos; e, por estranho que pareça, sou grato a esses professores.

Quem não sabe aceitar as pequenas falhas das mulheres não aproveitará suas grandes virtudes.

As flores desabrocham para continuar a viver, pois reter é perecer.

A sabedoria é a única riqueza que os tiranos não podem expropriar.

O importante para uma pessoa não são os seus sucessos mas sim quanto os deseja.

O prisioneiro que tem a porta do seu cárcere aberta e não se liberta, é um covarde.

A neve e as tempestades matam as flores, mas nada podem contra as sementes –

Anda, parar é covardia e olhar para a cidade do passado é ignorância

.Ide para os vossos campos e jardins e aprendereis que o prazer da abelha consiste em retirar o mel da flor.Mas também a flor tem prazer em dar o seu mel à abelha.Pois para a abelha a flor é uma fonte de vida. E para a flor a abelha é mensageira de amor.E, para ambas, abelha e flor, o dar e o receber de prazer é uma necessidade e um êxtase.

A simplicidade é o último degrau da sabedoria.

O desejo é a metade da vida; a indiferença a metade da morte!

Pode contar seus segredos ao vento, mas depois, não vá culpá-lo por contar tudo às árvores.

Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas quando parte, nunca vai só nem nos deixa a sós. Leva um pouco de nós, deixa um pouco de si mesmo. Há os que levam muito, mas há os que não levam nada.

Amai-vos um ao outro, mas não façais do amor um grilhão:
Que haja antes um mar ondulante entre as praias de vossas almas.
Encheis a taça um do outro, mas não bebais na mesma taça.
Dai de vosso pão um ao outro, mas não comais do mesmo pedaço.
Cantai e dançai juntos, e sede alegres, mas deixai cada um de vos estar sozinho, Assim como as cordas da lira são separadas e, no entanto, vibram na mesma harmonia.

Dai vossos corações, mas não confieis a guarda um do outro.
Pois somente a mão da vida pode conter nossos corações.
E vivei juntos, mas não vos aconchegueis em demasia;
Pois as colunas do templo erguem-se separadamente,
E o carvalho e o cipreste não crescem a sombra um do outro.

Quando o amor acenar,
siga-o ainda que por caminhos
ásperos e íngremes.
Debulha-o até deixá-lo nu.
Transforma-o,
livrando-o de sua palha.
Tritura-o,
até torná-lo branco.
Amassa-o,
até deixá-lo macio;
e,então,submete ao fogo
para que se transforma em pão
para alimentar o corpo e o coração!

Deve existir algo extranhamente sagrado no sal: está em nossas lágrimas e no mar… –

Quando o amor vos fizer sinal, segui-o; ainda que os seus caminhos sejam duros e escarpados. E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos; ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir.

Ainda ontem pensava que não era mais do que um fragmento trêmulo sem ritmo na esfera da vida. Hoje sei que sou eu a esfera, e a vida inteira em fragmentos rítmicos move-se em mim. Eles dizem-me no seu despertar:
Tu e o mundo em que vives não passais de um grão de areia sobre a margem infinita de um mar infinito. E no meu sonho eu respondo-lhes:
Eu sou o mar infinito, e todos os mundos não passam de grãos de areia sobre a minha margem. Só uma vez fiquei mudo. Foi quando um homem me perguntou: Quem és tu? –

Só o mudo inveja o falador, –

Quando o amor vos fizer sinal, segui-o; ainda que os seus caminhos
sejam duros e escarpados. E quando as suas asas vos envolverem,
entregai-vos; ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir. –

O Amor ENTÃO Almitra disse: -Fala-nos do Amor. Ele levantou a cabeça
e olhou o povo; um silêncio caiu sobre eles. E disse com voz forte:
– Quando o amor vos fizer sinal, segui-o; ainda que os seus caminhos sejam duros e escarpados. E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos; ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir. E quando vos falar, acreditai nele; apesar de a sua voz
poder quebrar os vossos sonhos como o vento norte ao sacudir os jardins. Porque assim como o vosso amor vos coroa, também deve crucificar-vos. E sendo causa do crescimento, deve cuidar também da poda. E assim como se eleva à vossa altura e acaricia os ramos mais tenros que tremem ao sol, também penetrará ate às raízes sacudindo o seu apego a terra.

Como braçadas de trigo vos leva. Malha-vos até ficardes nus.
Passa-vos pelo crivo para vos livrar do palhiço. Mói-vos até à brancura.
Amassa-vos até ficardes maleáveis. Então entrega-vos ao seu fogo,
para poderdes ser o pão sagrado no festim de Deus.
Tudo isto vos fará o amor, para poderdes conhecer os segredos do vosso coração, e por este conhecimento vos tornardes um bocado do coração da Vida. Mas, se no vosso medo, buscais apenas a paz do amor, o prazer do amor, então mais vale cobrir a nudez e sair da eira do amor,
a caminho do mundo sem estações, onde podereis rir, mas nunca todos os vossos risos, e chorar, mas nunca todas as vossas lágrimas. O amor só dá de si mesmo, e só recebe de si mesmo. O amor não possui nem quer ser possuído. Porque o amor basta ao amor. Quando amardes, não digais: – Deus está no meu coração, mas antes:

– Eu estou no coração de Deus. E não penseis que podeis guiar o curso do amor; porque o amor, se vos julgar dignos, marcará ele o vosso curso. O amor não tem outro desejo senão consumar-se. Mas se amardes, e tiverdes desejos, deverão ser estes: Fundir-se e ser um regato corrente a cantar a sua melodia à noite. Conhecer a dor da excessiva ternura. Ser ferido pela própria inteligência do amor, e sangrar de bom grado e alegremente.

Acordar de manhã com um coração alado e agradecer outro dia de amor. Descansar ao meio dia e meditar no êxtase do amor.
Voltar a casa ao crepúsculo com gratidão; e adormecer tendo no coração
uma prece pelo bem amado e um canto de louvor na boca

A Razão e a Paixão são o leme e as velas da alma navegante. Sem ambos, ficarias à deriva ou parado no meio do mar.
Se a Razão governar sozinha, será uma força limitadora. E uma Paixão Ignorada é uma chama que arde até sua própria destruição.

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