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Madonna

Eu não acho que Jesus se aborreceria comigo.
Obs.: Ao ser criticada por religiosos de todo o mundo por simular a sua própria crucificação na divulgação da turnê de seu show de 2006.

Se já fiquei completamente intimidada por alguém? Sim, pela minha sogra.

Quem não gostaria de sentar num assento novinho em folha onde quer que fosse?
Obs.: Em 2006, explicando por que exige que os assentos dos vasos sanitários dos seus camarins sejam trocados diariamente durante as turnês. [ Madonna

Pessoas como Paris vão a um centro, compram um dos livros e um bracelete e acham que ser um seguidor é isso. Não estudam os preceitos da seita, não se dedicam a isso. É muito duro ser um seguidor. Levo meus estudos cabalísticos muito a sério e me dedico intensamente a eles.
Obs.: Madonna, cantora, criticando Paris Hilton, a nova adepta da cabala.

Eu não quero equiparar George Bush com Saddam Hussein. Mas eu acredito que George Bush e Saddam Hussein estão ambos se comportando de uma forma irresponsável. Então, nesse respeito, eles são parecidos.
Obs.: Falando sobre Saddam e Bush.

Por que os críticos não estão se importando com a sexualidade dele na hora de apreciar a sua música?
Obs.: Falando sobre Prince.

Eu estava pensando em fazer uma canção com ele, o que teria sido bom porque nós dois somos brancos, artificiais e loiros.
Obs.: Falando sobre Billy Idol.

Seria certo dizer que ele morreu no dia do meu aniversário mas eu não acredito nisso. A suposta data de sua morte é o dia do meu nascimento, 16 de agosto, mas eu acredito que o rei vive, acho que ele está em Michigan, o que significa que tem um quarto pra mim em Graceland.
Obs.: Comentando sobre o rei Elvis Presley.

Eu não fui uma beatlemaníaca. Eu acho que não consegui apreciar as músicas deles até eu ficar mais velha, mas ele é um ótimo chefe, bem compreensivo e solidário.
Obs.: Falando sobre George Harrison.

Bem, essa é mais uma diferença entre o meu marido e eu: eu vejo o copo metade cheio e ele vê metade vazio.

O Guy é um verdadeiro machão e eu sou bem teimosa. Às vezes nós brigamos, não fisicamente, mas mentalmente e emocionalmente. E há um detalhe, um pequeno detalhe nisso tudo: eu gosto de homens que me enfrente.
Obs.: Comentando sobre Guy Ritchie.

Eu gosto delas mas sei que não deveria. Toda vez que alguém fala mal delas eu digo: ‘Ei, espera aí, eu já fui uma Spice Girl’.
Obs.: Falando das Spice Girls.

Jennifer Lopez & Ben Affleck: Até certo ponto, os dois adoram a atenção da mídia. No final das contas eu fico com a impressão de que esse é o trabalho deles e depois há a necessidade de ser uma parte do relacionamento que você mantém em sigilo.

É igual quando você vai a uma festa e lá tem uma garota, todo mundo a evita porque ela é muito bonita ou coisa do tipo. Eu sempre fico com vontade de chegar e conversar com essa pessoa. (Britney) é vítima do esnobismo. As pessoas ficam falando: ‘oh ela é isso’ e ‘oh ela tem silicone’ e bla, bla bla, e assim que eu vejo uma pessoa sendo rejeitada eu fico com vontade de ir lá falar com ela na festa. Talvez em um certo ponto eu me identifique um pouco com isso, pois eu sentia que as pessoas eram esnobes comigo no começo da minha carreira. Perdi as contas das coisas que li sobre mim que me desconsideravam e o fato de eu ter talento, ou se eu conseguia cantar ou qualquer uma daquelas coisas. E agora eu vejo todo mundo fazendo isso com a Britney e fico com vontade de defendê-la e protegê-la. Afinal é muito fácil levantar e criticar as pessoas, não é?.

Eu sinto muita vontade de protegê-la, nem me pergunte o porquê. Ela tem algo de especial, mesmo sendo esse tremendo sucesso, por alguma razão eu penso nela como aquelas pessoas excluídas.
Obs.: Falando da amiga Britney Spears.

Britney Spears Eu acho muito irritante o fato de todas as pessoas caírem matando em cima da Britney Spears. Tudo que eu quero fazer é apoiá-la, elogiá-la e desejar a ela muitas coisas boas. Ela só tem 18 anos! Isso é chocante.

Christina Aguilera Lourdes adora a Christina. Ela tenta cantar igual ela, é muito engraçado… mas ela não imita as danças, só a voz, o que é muito bom, porque as danças são muito sensuais para minha filha.

Eu quero ser o símbolo de algo, isso é o que acho que é vencer, quer dizer que você significou alguma coisa. Até onde eu sei Marilyn Monroe conquistou o mundo…ela significou algo.

Eu sou uma pessoa bem antiquada. O casamento só é bom quando é levado a sério. Eu celebrei, e queria que o mundo inteiro soubesse que aquele era o homem que eu amava mais que tudo na vida. Mas eu tive que pagar um preço e só agora eu percebi. Eu comecei a perceber o quanto é importante manter a privacidade e manter as coisas pra você o máximo possível porque depois isso vira um trem desgovernado.

Eu tenho que admitir: eu paquero bastante mas eu acho que agora o Sean percebeu que isso faz parte da minha caracterização. Eu paquero todo mundo desde o lixeiro até as avós.

Desde o momento que nós nos casamos as pessoas não conseguem se decidir: elas queriam que eu engravidasse ou que me separasse. Depois de um tempo, isso colocou muita tensão em nossa relação. Foi uma experiência de construção de caráter e um teste de amor para conseguirmos superar tudo isso.

Na minha opinião, o amor do Sean parecia uma mão enorme que pegava todo o meu corpo. Às vezes era tudo peludo e quente ou coçava e machucava.

A melhor coisa em ser solteira é que sempre tem uma pessoa pra ser conquistada. Eu não gostaria que ninguém fosse o Sr. Madonna.

O casamento é uma montanha russa.

Acho que você sabe que está apaixonada quando finalmente decide que quer fazer sacrifícios por uma outra pessoa, ou quer abrir mão de algo por ela; você não pensa mais só em você. Gosto do amor que os pais têm por seus filhos…

Não consigo imaginar viver feliz para sempre ou por um longo tempo com uma pessoa. Eu mudo muito e as minhas necessidades também.

Prefiro homens de visual efeminado e os novinhos. Onde eu moro, têm vários porto riquenhos que são uma graça, e eu não ligo para o fato das pessoas se sentirem ultrajadas quando nós saímos juntos. Os garotos de quinze e dezesseis anos são os melhores e eu gosto dos garotos delicados que não têm medo de mostrar os sentimentos e chorar. Eu quero acariciar um corpo macio e gostoso não um Hulk.

O lado amoroso é espontâneo mas na minha carreira eu tenho controle total.

Eu tive experiências dolorosas com os homens em minha vida, no mesmo momento que estava vivendo ótimas experiências em minha vida. Talvez em Like a prayer eu esteja representando mais as experiências dolorosas. É claro que eu não odeio os homens, não, não, não, eu não conseguiria viver sem eles.

Acredito que muito do meu temperamento sangue quente e passional seja italiano. Gosto de homens preocupado e de temperamento forte e difícil. Os italianos são dominadores e às vezes eu gosto de ser submissa.

Eu adoro encontrar homens de ternos, eu os adoro porque sei que eles têm um trabalho muito chato, então eu entro na sala deles com minha calça laranja de veludo, derrubo pipoca em meu decote, pego e como. Eu curto isso, sei que estou divertindo eles e sei que eles sabem disso.

Adoro pele, lábios e homens latinos.

Todos os homens que eu tive que passar por cima pra chegar ao sucesso… todos eles me teriam de volta pois eles ainda me amam e eu ainda os amo.

Todos os meus namorados acabaram tornando-se muito úteis na minha carreira mas não foi por isso que fiquei com eles, eu os amava muito. Eu não sou a Alexis de Dinasty.

O primeiro garoto que eu gostei era tão lindo. Eu escrevi o nome dele no meu tênis e no pátio; eu tinha a mania de arrancar a parte de cima do uniforme dele e depois sair correndo.

Eu comecei a namorar com, eu acho… nossa 14 ou 15 anos. Eu me apaixonei por um garoto chamado Russell. Ele era o único garoto que dançava comigo na escola, porque eu dançava de um jeito bem louco naquela época e todos os garotos tinham medo de me tirar pra dançar, afinal eu nem ligava mesmo pra eles. Mas o Russell também dançava muito bem, era um pouco mais velho do que eu e mais sofisticado, então ele era o único que tinha coragem de fazer isso. Desse jeito ele ganhou o meu coração: por não ter medo de mim.

Acho que todo mundo deveria se casar pelo menos uma vez, para poder perceber como essa instituição é boba e ultrapassada.

Eu não tenho muitas amigas, isso acontece porque eu não encontro muitas mulheres que são experientes e inteligentes. E além do mais, eu me dou melhor com os caras…

Eu nunca estive tão feliz na minha vida.Eu tenho dois filhos lindos e um marido bonito e inteligente. Tenho meu trabalho e minha fé. Nada disso significa que eu tenha perdido meu senso de humor ou minha capacidade de me divertir. Se isso é chato para algumas pessoas, eu não estou nem aí.
Obs.: Declarou a cantora em 04/05/2004.

Quando os primeiros clones da Madonna apareceram eu fiquei meio irritada. Se você cria um som, então quer ter os direitos sobre ele mas depois eu me senti lisonjeada. Mesmo assim isso é meio confuso porque eu vou ouvir uma música na rádio e vou pensar que sou eu.

Imagino que quando eu chegar no ponto de não ter o desejo de saber mais coisas e a ânsia de aprender, então, eu não vou mais atuar e nem escrever canções.

Você acha mesmo que eu sou uma garota materialista? Pois eu não sou. Não preciso de dinheiro, eu preciso de amor.

Acho que o grande desafio é ter um pouco de estilo e elegância mesmo sem ter grana, ser da sociedade ou ter estudo. Eu vim de uma família de classe média mas eu me identifico mais com pessoas que tenham lutado muito pra sobreviver, isso é uma influência a mais para o seu caráter.

Acho que eu ofendi muitas pessoas no começo da minha carreira, por ser branca, principalmente os programadores das rádios de música negra no sul dos EUA. Muitos artistas negros não tocavam nas rádios então eles não queriam dar a chance para uma pessoa que não era negra. Não era como se eu estivesse roubando eles e pelo menos eu era sincera. Eu não me sinto culpada por não ser negra, embora ache que terei mais chances de fazer sucesso por essa razão.

A Warner Brothers é uma hierarquia de velhos e o ambiente de trabalho é chauvinista pois eu fui tratada como uma garotinha sexy. Eu tenho que provar que eles estavam errados o que significa além de meus fãs eu tenho que provar a minha gravadora também. Esse tipo de coisa só acontece com as garotas, isso não aconteceria com o Prince ou o Michael Jackson. Eu tive que fazer tudo sozinha e foi difícil tentar convencer as pessoas que valeria a pena me contratar. Depois disso eu tive o mesmo problema ao tentar convencer a gravadora que eu tinha mais a oferecer do que ser apenas uma cantora.

Existem os malucos, basicamente há dois tipos deles: o maníaco sexual que quer uma peça da sua lingerie e os moralistas que me condenam ao inferno emocional.

Quando o Robert de Niro aparece no aeroporto não há 20 fotógrafos que invadem sua limusine e não deixam ele ir embora. Não acho que o Al Pacino ou o Robert são acossados do jeito que eu sou.

Eu nunca imaginei que o sucesso era assim, foi uma surpresa mas eu posso lidar com isso. Eu ainda consigo rir do sucesso então acho que está tudo bem.

Eu tenho várias fãs garotinhas e elas começam a gritar nos trens. As pessoas me falam: ‘Você é a cara da Madonna’ e eu respondo: ‘Obrigada’ ou eles perguntam: ‘Você é a Madonna?’, eu digo que sou e eles respondem: ‘Não é, não’ .

Eu sou muito mal falada pela mídia, as pessoas associam uma garota bem sucedida como sendo só um rostinho bonito e cabeça de vento. Os caras sexy nunca são mal falados.

Quando eu dou uma risada bem alta aqui na Inglaterra, sinto como se estivesse fazendo alguma coisa errada. É aquela qualidade jovem, ousada e agressiva que os britânicos mais reservados e sofisticados detestam. Na maioria das vezes os britânicos não são muito legais comigo.

Você não pode sentar e se preocupar pelo fato das pessoas não gostarem de você, pois elas não vão mudar de opinião, isso não pode te parar.

A coisa que mais me irrita sobre os paparazzi é que eles sempre acham que te colocaram onde você está. Eles realmente acham que por você ser uma celebridade, deve a eles todas as fotos que eles conseguirem tirar, eu acho isso muito injusto.

Eu fiquei com depressão sim, mas não por causa da imprensa, eu tomava vários remédios não por causa da depressão. Não era pelo fato das pessoas serem anti-Madonna mas pelo fato deles estarem insistindo em algo negativo quando poderiam fazer algo de bom com a vida deles.

A América é uma sociedade bem negativa. As pessoas querem saber todos os seus segredos, todos os seus podres que não podem ser ditos e tudo o que a imprensa fala sobre mim é negativo, sujo ou coisas do tipo, mas sempre há uma esperança, pra eles, de que vão encontrar algo bem escandaloso.

Houve momentos em que eu pensei: ‘Se eu soubesse que iria ser assim eu não teria me esforçado tanto’. Mas se um dia eu ficar cheia disso, estiver me sentindo abusada demais ou quando eu não estiver curtindo mais tudo isso eu deixo a minha carreira.

Quando eu estava no Japão uma pessoa ligou e disse que o meu pai tinha morrido só para eu atender o telefone. Isso é assustador, as pessoas acham que te conhecem só porque você é uma figura pública. Tem uns caras, que eu nunca vi antes na minha vida, que aparecem do nada e tentam me beijar.

No começo as fotos da Playboy foram bastante prejudiciais pra mim e eu não sabia bem o que eu achava delas, agora eu olho pra elas e me sinto uma boba por ter ficado brava mas eu ainda quero manter algumas coisas em segredo. É como se você fosse uma criança na escola, uma freira vem e levante sua saia na frente de todo mundo e você fica morrendo de vergonha. Isso não é bem o fim do mundo mas você não estava preparada, é tão horrível e você se sente totalmente exposta. A Penthouse também fez uma coisa bem suja: eles mandaram as revistas para o Sean.

Eu fiz aquele trabalho para ganhar dinheiro e acabei indo posar nas casas das pessoas então eu me envolvi com os fotógrafos. Eu considerava o nu uma obra de arte, e não via pornografia nas obras de Michelangelo. É claro que eu preferiria que as fotos não tivessem sido publicadas mas acho que quando as pessoas virem elas vão dizer: ‘E daí?’ O problema vai ser das pessoas que transformarem as fotos em coisas pornográficas, essa nunca foi minha intenção.

Eles pagavam 10 dólares a hora (por posar nua) e no Burger King eles pagavam $1,50. Eu vivia dizendo: ‘Isso é pela Arte’.

Quando as fotos nuas foram tiradas oito anos atrás, não eram para ser publicadas em nenhuma revista, elas foram tiradas por esses caras que tiram fotos nuas para exposições. Naquele tempo eu não era conhecida e não estava ciente de que eu estava me envolvendo em um futuro escândalo. Eu posei nas escolas de arte durante anos, eu era dançarina, estava em ótima forma e um pouco abaixo do meu peso então era possível ver os meus músculos definidos e o meu esqueleto. Eu era uma das modelos preferidas deles porque era fácil de desenhar.

Eu tenho mais contas pra pagar, tem mais gente me ligando, ando escondendo o rosto na rua, levo pessoas pra jantar com mais freqüência e às vezes eu sinto esse sensação assustadora de que posso fazer tudo o que quiser.

Dinheiro não é importante. Eu nunca quis ter milhões de dólares mas eu não quero ter que me preocupar com dinheiro. Quanto mais dinheiro você tem, mais problemas você vai ter também. Eu passei de uma pessoa pobre, para uma pessoa rica e tudo o que eu ganhei foram problemas. A vida era mais simples quando eu não tinha dinheiro e mal conseguia sobreviver.

Vocês têm que ser pacientes; eu não.

Parecia que eu estava acampando na selva por uns sete anos. Eu nunca tive dinheiro, nunca ninguém me ajudou e lidar com tudo isso e ainda ter que lutar pra sobreviver me transformou nessa vadia que todos pensam que sou.

Finalmente decidi que eu deveria tentar me profissionalizar na dança. Aos 12 ou 13 anos eu comecei a freqüentar uma escola onde eles ensinavam sapateado, jazz e ginástica olímpica. Aquele era o lugar pra mandar as crianças hiperativas. Quando eu tinha 14 ou 15 comecei a fazer balé todos os dias.

Eu percebi que era diferente com cinco anos. Meu pai me criou para ser competitiva, eu fui encorajada a aspirar o ponto mais alto.

Eu sempre disse que eu queria ser famosa… eu nunca disse que eu queria ser rica.

Eu trabalhei duro durante sete anos para conseguir o que eu tenho. E trabalhei por muito tempo e dei muito duro, então agora que eu consegui acho que eu mereço todo esse sucesso. Eu sempre soube que isso ia acontecer.

Eu ralei muito antes de chegar onde cheguei e literalmente passei fome e catei comida do lixo para comer antes de tudo isso acontecer.

Eu pensava: ‘Qual é a pessoa mais bem sucedida da indústria da música e quem é o seu empresário?’, eu quero esse cara.

Eu adorava me arrumar toda pra passear na rua, como eu não tinha dinheiro pra pegar táxi eu andava muito de metrô e adorava ver a reação estranha que eu causava nas pessoas. Mas hoje em dia eu não tenho mais esse privilégio porque agora eu já tenho toda a atenção. Quando eu estou andando na rua as pessoas não me vêm como uma pessoa interessante, elas me vêm como a Madonna.

Quando meu pai veio me visitar em Nova York ele ficou mortificado. O lugar estava coberto de baratas, havia bêbados no corredor e o lugar estava com cheiro de cerveja velha.

Embora eu tenha vindo imediatamente para Nova York eu me sentia muito sozinha. Eu levei tudo que eu podia em um táxi para ir pra qualquer lugar depois. Eu respirei fundo, tomei coragem, engoli o choro e disse, ‘eu vou fazer isso, preciso fazer porque eu não tenho pra onde ir’.

Quando eu vim a Nova Iorque era a primeira vez que eu tinha colocado os pés num avião, a primeira vez que eu tinha andado de táxi a primeira vez em tudo. Eu cheguei aqui com 35 dólares no bolso, foi a coisa mais corajosa que eu já tinha feito. O meu objetivo era conquistar o mundo e acho que eu consegui.

Às vezes eu uso as pessoas, mas acho que essa é a atitude que a maioria das pessoas ambiciosas tem. Isso acontece se a pessoa não consegue me acompanhar tanto fisicamente quanto emocionalmente, eu fico triste, mas isso faz parte da tragédia do amor.

Quando eu era criança achava que o mundo era meu, e que era um lugar onde eu podia bater o pé e que era cheio de oportunidades. Eu sempre tive essa atitude de que eu iria sair para o mundo e fazer tudo que eu queria fazer.

Eu fui despedida do Dunkin’ Donuts porque eu esguichei a geléia dos donuts nos clientes.

Quando eu saí de casa e estava na miséria eu só comia pipoca, por isso que eu até hoje adoro isso. Quando eu tinha um dólar sobrando eu ia direto comprar pipoca, iogurte e amendoim, porque pipoca é uma coisa barata e quando eu estava no Ensino Médio conheci uma garota que era uma bailarina bem séria, ela parecia ser mais inteligente do que as garotas comuns e tinha um jeito diferente e interessante, então eu grudei nela e ela me levava as aulas de balé. Conheci o Christopher Flynn um professor que me salvou do tumulto da escola. Eu o amava, ele era um mentor, um pai, um amor imaginário… ele me encorajou a ir para Nova Iorque. Ele me falou que eu podia fazer tudo que eu quisesse fazer.

Eu saía mais cedo da escola e ia direto para as aulas de dança, acho que o meu professor de balé foi a pessoa que me introduziu ao glamour e à sofisticação. Ele era muito católico e disciplinado e me inspirou bastante. Ele vivia dizendo: ‘Você é diferente’ e ‘Você é linda’. Ele nunca disse que eu seria uma boa dançarina, ele só dizia: ‘Você é especial’.

Todas aquelas garotas vinham para a aula com colant preto, meia rosa e com um coque bem alto com flores. Por isso eu cortei o cabelo bem curtinho e passava gel para ele ficar bem preso, cortei minhas meias para elas ficarem todas cheias de falhas e fiz um corte grande da metade até a parte de baixo e coloquei alfinetes até em cima. Tudo para me destacar delas e dizer: ‘Eu não sou como vocês, ok. Eu também estou fazendo aulas de dança mas eu não estou presa aqui como vocês’. De vez em quando eu dizia pra mim, ‘bem, se você não gosta disso Madonna, então faça o que você quer fazer’. Foi aí que eu comecei a explorar outros territórios e parei de ir todos os dias nas aulas de dança.

A maioria das garotas que eu conheci nas aulas de ballet e coisas do tipo, eram garotinhas travessas que ficavam se admirando no espelho o dia inteiro. Eu me peguei fazendo a mesma coisa, finalmente, quando vivia em Detroit. Eu comecei a me rebelar e querer dar o fora dali.

Me irritava muito o fato dos dançarinos terem uma visão de mundo tão limitada. Eles eram muito tapados. Acordavam cedo, faziam aulas de dança o dia todo e depois iam aos ensaios e comiam comida saudável. Depois iam pra casa e dormiam cedo. Eles faziam isso todos os dias e não entendiam nada de música ou arte; eles não sabiam nada e eram completamente ignorantes.

Eu realmente aprendi a dançar sozinha. Eu assistia muito televisão e tentava copiar a Shirley Temple quando eu era uma garotinha. Eu ligava o toca-discos e dançava no porão sozinha e dava aulas de dança para as minhas amigas, à minha maneira, aos cinco anos. Quando fiquei mais velha, comecei a dar aulas para os garotos também, eu me lembro do primeiro garoto que eu dei aula, a música era ‘Honky Tonk Women’ dos Rolling Stones…era bem sexy.

Acho que os pais dão falsas expectativas de vida aos filhos. Todos nós crescemos com equivocadas noções sobre a vida e elas não mudam até o dia que nós caímos no mundo. É como se alguém te dissesse o que é o amor ou o casamento: não dá pra saber até o dia que você experimenta e aprende do jeito mais difícil.

Muitas pessoas tem medo de dizer o que elas querem e é por isso que elas não conseguem o que querem.

Eu quero dominar o mundo. E cada vez que alcanço o topo eu vejo um novo ponto alto que quero alcançar, é como seu eu não conseguisse parar. Talvez eu devesse relaxar e curtir mas eu não consigo, eu tenho que continuar o que estou fazendo. Por quê? Eu não sei. Eu não sei o que me motiva, só sei que tenho que fazer isso.

Detroit é uma cidade muito desoladora. Tirando a Motown não há mais nenhuma cena cultural por lá. Há uma boa cena de jazz mas é só isso.

Eu queria dançar em Nova York mas todas as boas companhias já estavam lotadas e eu não podia esperar cinco anos para conseguir uma oportunidade então eu comecei a fazer testes para musicais. Eles me levaram a Paris e me apresentaram a franceses horríveis que me levavam a restaurantes caros e me arrastavam por aí pra mostrar aos amigos o que eles tinham encontrado nas sarjetas de Nova Iorque; eu estava arrasada.

Eu ia de noite para as minhas aulas de dança com um colant rasgado e preso com alfinetes, adorava fazer as coisas para chocar as pessoas.

Para os meus superiores eu parecia ser uma boa garota . Eu me saía muito bem naquelas situações em que era a supervisora e tinha que denunciar o mau comportamento das outras pessoas, eu torturava elas.

Eu e meu pai nos damos muito bem agora. Quero dizer, tem altos e baixos, ele não é uma pessoa que conversa muito e essa é a minha frustração. Ele não se expressa muito e mais do que tudo eu quero a aprovação dele, não importa se eu queira admitir isso ou não. Mas ele sempre foi muito afetuoso comigo. Eu tenho milhões de sentimentos diferentes sobre meu pai mas no geral eu amo ele de paixão. O que é difícil pro meu pai é aceitar que eu não preciso dele, mas eu preciso.

Eu tive uma criação tradicional católica e vi os privilégios que os meus irmãos mais velhos tinham. Eles podiam voltar tarde para casa, ir aos shows, tocar na vizinhança e eu era deixada de lado. Depois quando eu virei dançarina, a maioria dos caras eram homossexuais e também fui deixada de lado. Tem uma parte do meu interior que é um garotinho frustrado.

Todos na família estudaram algum instrumento musical. Meu pai tocava muito bem. De alguma forma eu consegui estudar só um ano de piano e convencer o meu pai a me deixar fazer aulas de dança, assim eu escapei da chatice de ter que fazer todos os dias as aulas de piano que eu detestava. Mas a música sempre estava presente em nossa casa, tanto em discos, como no rádio ou alguém cantando na banheira…barulho, muito barulho.

Eu queria fazer tudo o que as pessoas me falavam que eu não podia fazer… Eu não podia usar maquiagem, não podia usar nylon, não podia cortar o cabelo, não podia ter um encontro e nem ir ao cinema com os meus amigos.

Nós vivíamos em uma comunidade bem integrada e éramos uma das únicas famílias brancas. A garotada tinha os discos da Motown e de artistas negros, eles dançavam no quintal, tinham um pequeno toca-discos e um monte de discos, e todo mundo dançava na frente da garagem e no quintal… eu gostava muito dos The Shirelles, The Ronettes, Martha Reeves And The Vandellas e o The Supremes – eles faziam a típica música pop.

Quando era pequena eu queria ser negra – todas as minhas amigas eram negras. Eu morava em Pontiac, Michigan e era minoria na vizinhança. Havia poucos brancos por lá. Todos os meus amigos eram negros e só escutavam músicas dos negros. Eu morria de inveja das minhas amigas negras, porque elas podiam fazer tranças no cabelo. Então eu fazia o suplício de colocar arame no cabelo e fazia trancinhas. Eu fazia tranças grudadas na cabeça e tal. Mas se o sinônimo de ser negro for ter alma, então sim, eu me sentia como uma negra.

Eu era bem competitiva na escola com as minhas notas porque o meu pai costumava dar recompensas quando a gente vinha com 10 nos nossos boletins, não porque eu estava interessada em aprender. Ele dava 25 centavos para cada 10 que a gente tirasse, então eu queria ganhar a maior quantia de dinheiro possível.

Quando você vem de uma família grande todo mundo é bem competitivo um com o outro, ao invés de gritar bem alto e fazer coisas pra chamar atenção… a gente se metia em várias encrencas para chamar atenção do meu pai e depois receber a punição adequada.

Por ser a garota mais velha da família, parece que eu passei a adolescência inteira cuidando de bebês. Acho que era por isso que eu queria tanto me livrar de tudo aquilo. Eu me via como a típica Cinderela.

Era difícil aceitar que minha madrasta era uma figura autoritária e a mulher mais importante na vida do meu pai.

Aquele período em que eu sabia que minha mãe não estava cumprindo seu papel e eu percebia que a estava perdendo – tem muito a ver com meu estímulo para falar e para viver. Aquilo me deixou com o desejo de preencher o vazio dentro de mim.

Uma das coisas mais difíceis que eu tive que encarar em minha vida foi a morte de minha mãe e isso é uma coisa que eu realmente ainda não superei.

Madonna era o nome da minha mãe, ela morreu quando eu era bem pequena, eu a amava muito, por isso que esse nome significa tanto pra mim. Ela era um amor, linda e trabalhadora. Às vezes eu penso se eu seria muito parecida com ela mas isso eu nunca vou saber – eu tenho o costume de romantizar e fantasiar sobre isso mesmo assim. É muito raro para uma mãe italiana católica dar o próprio nome para a filha – principalmente se for um nome não muito comum – por isso eu acho que talvez fosse para acontecer que ela morresse quando eu era tão jovem, mas de algum jeito o espírito dela ainda está em mim… Eu não sei se ela pode me ouvir mas eu digo à ela coisas que uma garota só pode dizer a sua mãe – coisas particulares.

Eu fui embora de casa aos 17 anos e não voltei mais lá. Demorou um tempo para eu me aproximar de minha família novamente e nós ficamos um tempo sem nos falar muito. Não era só pelo fato de eu ter ido embora e ter vivido a minha vida. Eu só não sentia que ele entendia e gostava até pouco tempo atrás. Agora que eu sou uma artista com uma carreira estabilizada acho que meu pai entende o que estava tentando fazer.

Se o meu pai não tivesse sido tão rígido eu não seria hoje quem eu sou. Eu acho…eu acho que a rigidez dele me deixou mais disciplinada e isso me ajuda em minha vida, em minha carreira e também faz eu me esforçar mais pra conseguir as coisas, tanto por aceitação ou pelo privilégio de fazer as coisas.

Desde quando eu era bem jovem eu já sabia que sendo uma garota charmosa e bem feminina eu conseguiria muitas coisas e eu tirei proveito disso o máximo que eu pude.

Eu herdei algumas características do meu pai – a teimosia e eu também sou uma estraga-prazeres. Quando eu saio com meus amigos eu geralmente sou a primeira que quer ir embora apesar dos protestos deles. Quando nós visitávamos nossos parentes o meu pai sempre queria ir para casa ao invés de passar a noite com eles, isso é o que eu puxei de meu pai.

Meu pai fazia parte da primeira geração. Meus avós não eram muito educados e eu acho que de uma certa maneira eles representavam um estilo de vida antigo que meu pai realmente não queria fazer parte. Ele se formou em engenharia e queria que nós tivéssemos uma vida melhor do que a que tivemos.

Minha mãe tentava guardar seu medo para não deixar a gente saber que ela tinha câncer. Uma vez ela estava sentada no sofá e eu subi em suas costas e disse: ‘Brinca comigo’, ela não quis, não podia. Eu fiquei muito brava com ela e comecei a dar socos dizendo, ‘Por que você está fazendo isso?’ depois eu percebi que ela estava chorando.

Eu me sentia sozinha e desamparada, mesmo quando meus irmãos estavam na sala comigo. Minha mãe tinha uma linda camisola vermelha de seda e eu me lembro de ir dormir agarrada à camisola.

Nas reuniões de família eu subia na mesa e começava a dançar e se eu não conseguisse chamar a atenção das pessoas desse jeito, então, começava a gritar.

Quando eu era pequena minha avó implorava para que eu não saísse com os garotos, para eu amar Jesus e ser uma boa menina. Eu cresci com duas imagens de mulher: A Virgem e a vadia.

Se a gente não tinha lição de casa ele achava alguma coisa para nós fazermos pela casa – ele era bem categórico no sentido de sermos produtivos.
Meu pai veio de uma família muito pobre, os pais dele eram imigrantes italianos, ele era o caçula de seis garotos e foi o único que fez faculdade, então era muito importante para ele que a gente aproveitasse as oportunidade de estudo. Eu rejeitei uma bolsa de estudos da University of Michigan e quando contei a ele que eu não queria ir para a faculdade e sim para Nova Iorque e ser uma dançarina, isso não fez o mínimo sentido para ele. Porque pra ele, dançar era como um passatempo e não um trabalho.

O meu pai era bem severo e disciplinador – todas as manhãs nós tínhamos que ir à igreja antes de ir à escola. Logo que chegávamos em casa, a gente trocava de roupa, fazíamos as tarefas e a lição de casa e jantávamos. Eu não podia nem assistir televisão até tarde quando era adolescente. Nosso pai não gostava que a gente ficasse de bobeira.

Eu definitivamente realizava minhas fantasias brincando com minhas Barbies. Eu as vestia com sarongues, mini saias, essas coisas. Elas eram sexy e transavam o tempo todo. Eu esfregava muito elas no Ken. E elas eram umas vadias, cara. A Barbie era malvada.

Eu estudei piano por um ano mas resolvi parar, na verdade, meu professor me fez parar pois eu nunca aparecia nas aulas, eu me escondia em uma valeta.

Os homens da minha vida me preferem magra.
Obs.: Madonna, cantora, admitindo que gostaria de ganhar alguns quilos.

Eu sou aquela que disciplina, enquanto o Guy mima. Eu cuido das idas aos médicos, lição de casa… ele é o bom policial, eu sou a má policial.

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