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Tancredo Neves

Então não me conte. Se você, que é o dono do segredo, não consegue guardá-lo, imagine eu.

As fontes de todos os problemas são três: barra de ouro, barra de terra e barra de saia.

A cidadania não é atitude passiva, mas ação permanente, em favor da comunidade.

Não são os homens, mas as idéias que brigam.

Eu não merecia isso.
Obs.: Ao neto Aécio, indo para a sexta operação.

Se é necessário, vamos lá. Vamos acabar logo com isso.
Obs.: Aos médicos, quando foi avisado da quarta cirurgia.

Nós vamos vencer mais essa.
Obs.: À dona Risoleta, antes da terceira operação.

Não pode ser depois? Estou tão cansado.
Ao ser informado de que seria submetido à terceira operação.

Mas, doutor, eu estava tão bem ontem, tirei até fotos, e agora estou aqui?
Obs.: Ao chegar ao Instituto do Coração, em São Paulo, para novos exames.

Preciso não, eu devo sarar. Aos médicos, recuperando-se da segunda cirurgia.

Rezem por mim. Antes de ser anestesiado para a segunda cirurgia.

Então, como foi? O Sarney tomou posse? Correu tudo bem?
Obs.: Dia 15 de março de 1985, ao sair da anestesia da primeira cirurgia.

Podem os brasileiros estar seguros de que faremos, com prudência e moderação, as mudanças que a República requer.

O povo é a substância da República, como prova a raiz latina da palavra. A República deve, pois, ser o compromisso fundamental do Estado para a solução dos problemas do povo, o atendimento de suas necessidades básicas até de sobrevivência.

De Norte a Sul do Brasil, estou pregando, em praça pública, a unidade nacional. Prego a concórdia, a construção do futuro, e não me prendo aos pesadelos do passado.

Restaurar a democracia é restaurar a República. É edificar a Nova República, missão que estou recebendo do povo e se transformará em realidade pela força não apenas de um político, mas de todos os cidadãos brasileiros.
Obs.: No discurso de novembro de 1984, em Vitória, Espírito Santo, em que lançou a Nova República.

Se as esquerdas tivessem condições de mobilizar a massa humana que nós vimos na Praça da Sé, em Curitiba e Salvador, já teriam tomado o poder neste país.
Obs.: Fevereiro de 1984.

A campanha pelas diretas é necessária, porém lírica.
Obs.: Junho de 1983.

O processo ditatorial, o processo autoritário, traz consigo o germe da corrupção. O que existe de ruim no processo autoritário é que ele começa desfigurando as instituições e acaba desfigurando o caráter do cidadão.
Obs.: Discurso em 1982.

Ocupei, sem que houvesse disputado, os mais altos cargos do governo e a oposição do meu país e os deixei empobrecido, vivendo dos meus subsídios, reforçados com os ‘papagaios’ que renovo de três em três meses nos bancos amigos.
Obs.: Numa entrevista em 1979.

Para a esquerda eu não vou. Não adianta empurrar.
Obs.: Durante a reformulação partidária de 1979.

É tapar o nariz com o lenço e ir ao Colégio Eleitoral, se isso for necessário. Pode ser ruim, mas não ir pode ser péssimo.

A grande decepção da minha geração é que achávamos que a democracia estava definitivamente assegurada no país. Hoje vemos que quem tinha razão era o Otávio Mangabeira, para quem nossa democracia era uma plantinha muito tenra.

Para descansar, temos a eternidade.

A cabeça do Magalhães funciona como um terreno baldio, onde há sempre alguém atirando alguma sujeira.

Por favor, me deixem em paz. Não tenho nada a dizer. Não quero ser a Sandra Bréa do MDB.

Partidos que renunciam à luta, que abdicam de seu dever de pelejar pela harmonia das condições do povo, não são partido políticos. Podem ser, quando muito, um grêmio literário ou uma confraria de São Vicente de Paula.
Obs.: Crítica à decisão do PT de não comparecer ao Colégio Eleitoral.

1984 foi o ano da alvorada, anunciador das grandes mudanças que deveriam começar em 15 de março de 1985, mas que já são visíveis e profundas e enchem de orgulho toda a sociedade brasileira.

As alvoradas da liberdade não surgem como um acontecimento natural. As manhãs da liberdade se fazem com a vigília corajosa dos homens que exorcizam com sua fé os fantasmas da tirania.

Não é nada disso, minha filha. Macho é hoje uma palavra unissex.

E então, vamos conversar? Mas não em sigilo. Esta é a maneira mais rápida, eficiente e segura de se propagar por todo o país quem disse, o que e onde.

Nação sem Constituição oriunda do coração de seu povo é nação mutilada na sua dignidade cívica, violentada na sua cultura e humilhada em face de sua consciência democrática.

O meu será um governo de centro, com tendências para a esquerda conservadora.

Até agora ele só enfrentou amadores, não enfrentou ninguém profissional.

A esperança é o único patrimônio dos deserdados, e é a ela que recorrem as nações, ao ressurgirem dos desastres históricos.

Nosso propósito é o de presidir um grande acordo nacional para a transformação do Brasil num país restaurado em sua honra, em sua riqueza e em sua dignidade.

Podem ficar tranquilos. Vou ser presidente nos mesmos termos do marechal Deodoro: meus ministros vão poder fazer tudo, menos o que eu não quiser que façam.

Não se tira o sapato antes de chegar ao rio. Mas também ninguém chega ao Rubicão para pescar.

Nós somos amigos há mais de trinta nos e nos últimos dez sempre disputamos a liderança do partido. Eu comandando os moderados e eles os radicais. Neste momento, só eu tenho a liderança das duas alas. Mas não me arriscaria a deixar o governo de Minas Gerais e enfrentar uma candidatura à Presidência da República se o Ulysses não me apoiasse.

O meu MDB não é o MDB do senhor Arraes e o MDB do senhor Arraes não é o meu, e nós dois sabemos disso há muito tempo.

Cada governo tem a oposição que merece. A um governo duro, intransigente e intolerante corresponde sempre uma oposição apaixonada, veemente e destrutiva.

Ainda que o movimento de 1964 tivesse transformado a nossa pátria em um paraíso, eu não me arrependo de lhe ter feito oposição. Para meu ideário político, o valor absoluto da vida é a liberdade. O paraíso, se estiver cercado, será sempre o inferno.

Esta foi a última eleição indireta do país.

Com o êxtase e o terror de haver sido o escolhido, como diria Verlaine, entrego-me hoje ao serviço da nação.

Se todos quisermos, dizia-nos há quase 200 anos, Tiradentes, aquele herói enlouquecido de esperança, poderemos fazer deste país uma grande nação. Vamos fazê-la.

O Brasil dos nossos dias não admite nem o exclusivismo do governo nem da oposição. Governo e oposição, acima dos seus objetivos políticos, têm deveres inalienáveis com o nosso povo.

União nacional, diálogo, entendimento, conciliação, trégua são nomes de um estado de espírito que está se formando na comunidade nacional.

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